quarta-feira, 28 de março de 2012

IV SEMINÁRIO DO NÚCLEO DE PESQUISA MARXISTA / URUAÇU




Local: Mini auditório da UEG de Uruaçu
Inscrição pelo endereço:
Inscrição de comunicação: até dia 10/04
Inscrição para ouvinte: até dia 18/04
Inscrição para receber certificado: R$ 10,00






18/04 (Quarta-feira)
19:30h - Palestra de Abertura
Classes sociais, relações de opressão e ideologia da exclusão social
José Santana (UEG)

19/04 (Quinta-feira)
14h – Minicurso: Historicidade e Marxismo
Renato Dias (UEG)

19:30h - Mesa Redonda – A perspectiva do proletariado sobre        a questão da mulher, do negro, dos homossexuais, juventude etc.
Cleito Pereira (UFG)
Marcus Vinícius (Unioeste)
Veralucia Pinheiro (UEG)

20/04 (Sexta-feira)
14h – Apresentação de Comunicações

19:30h - Palestra de encerramento
Autogestão Social e Emancipação Humana
Edmilson Marques (UEG)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O que está acontecendo com o mundo?

Edmilson Marques

                Estamos assistindo atualmente a uma explosão de protestos e lutas espontâneas em todo o mundo. Os ideólogos admiram boquiabertos esses acontecimentos que fogem às suas explicações. Alguns arriscam alguns palpites com invencionices que beira a comicidade; outros (senão a maioria) dirigem à má gestão do estado ou de um determinado partido político a razão de ser do descontentamento da população. Mas isso nada mais é do que uma expressão da ideologia burguesa, de concepções que fogem da verdade, que criam ideias mirabolantes para não falar da verdadeira causa deste descontentamento que prevalece em todo o mundo. Mas porque fazem isso? Por uma causa simples e nobre: para não revelar seus privilégios e consequentemente, reproduzir seu status e tudo que deriva daí, sucesso, autoridade, dinheiro etc. Mas onde está o problema?
                O problema sempre foi e continuará sendo o modo de produção estabelecido no capitalismo. Desde a origem desta sociedade, a luta de classes e tudo que deriva daí, o conflito, o descontentamento, etc. é parte de sua essência. Em determinados períodos históricos esse descontentamento extrapola o controle dos capachos da burguesia, e se transforma em uma luta aberta, clara e visível.
              O que ocorre é que a burguesia, com sua vontade encarniçada e desesperada em busca do lucro, submete um punhado de pessoas aos seus interesses, à exploração. Essas são tratadas como marionetes, como coisas, com um único propósito, proporcionar a ele (ao burguês) o lucro suficiente para manter a sua paz, o gozo de todos os privilégios que o dinheiro consequente da exploração lhe proporciona. Acontece que as pessoas submetidas a estes ditames dos capitalistas não são espantalhos que podem ser manipulados conforme a vontade daquele que busca proteger sua propriedade. As pessoas sentem, pensam, e respondem à opressão que sofrem. Os capitalistas podem, por um determinado tempo, lhe pautar da liberdade, mas não podem retirar delas o sentimento; até criam estratégias para amenizar o seu descontentamento mas isso tem duração limitada, que logo é superado no processo de desenvolvimento da luta de classes.
                Esse descontentamento expressado pelos oprimidos e explorados segue o capitalismo desde a sua origem, e caminhará junto a ele, até que os descontentamentos individuais se tornem unidos, e marchem coletivamente na busca de sua superação, até o fim do capitalismo. As tentativas para isso vêm ocorrendo a séculos. Os capitalistas assistem assustados à investida das classes exploradas, o estado "ainda" vem conseguido controla-los. Acontece que a força da paixão acessa nas pessoas que constituem estas classes em busca da liberdade, lhes torna cega, na luta direta, à consequência da opressão burguesa e estatal, e o triunfo de sua libertação se torna o seu alvo e objetivo. Por isso os protestos vêm se ampliando e tornando cada vez mais intensos. Quando na luta aberta, o medo dá lugar à coragem, a um impulso que leva o indivíduo a agir por si mesmo, sem uma orientação prévia, sem que ninguém lhe diga o que deve ser feito. Naquele momento sabe muito bem porque luta, o que busca, o que deve fazer, e quem é seu inimigo e amigo de luta.
                Não há espanto nem mesmo surpresa em torno dos protestos que vem estourando em todo o mundo. São expressões do descontentamento existente com a sociedade capitalista, que neste momento vem se tornando em luta aberta e ampla; é mais uma investida das classes oprimidas e exploradas sobre a classe opressora exploradora. Por mais que o estado esforce para controlar e acabar com estas revoltas e protestos, não conseguirá extingui-lo, a não ser que tome a decisão de abolir a si mesmo e à burguesia, os reprodutores e criadores desta sociedade, respectivamente. Mas sabemos muito bem que não fará isso. Neste caso, a luta continuará até o dia em que sejam abolidos. E esta abolição será obra única e exclusiva de quem sente na carne, no dia-a-dia, as consequências da exploração e opressão, as classes exploradas.
                A conclusão que podemos tirar a respeitos de todos estes protestos existentes atualmente, é que as classes exploradas estão superando as limitações que a burguesia impôs à sua consciência. As relações de opressão e exploração estão se revelando, e como consequência, as ações efetivas para sua abolição se multiplicando. A crença de que a vida no capitalismo pode algum dia ser desprovida de sofrimentos e descontentamentos, está sendo superada, e sendo substituída pela crença de que a única solução é a edificação de uma nova sociedade; onde as relações de exploração e opressão, enfim, a luta de classes seja inexistente e a liberdade desfrutada e parte do cotidiano de todos; esta crença está se erguendo em um ritmo acelerado e superando todas as ilusões e fantasias criadas pelos ideólogos.
                Para aqueles que desprezam o processo histórico de desenvolvimento da história humana, que acham impossível o fim do capitalismo, não se assustem quando estas lutas tomarem uma amplitude generalizada, explodirem em todo mundo e iniciarem o processo de transformação social. Esta é a tendência destes protestos. Vão se tornar cada vez mais radicais e com proporções cada vez maiores, até que desemboque no grito final, que anunciará o alvorecer de uma nova sociedade, criada, pensada e construída por aqueles que atuaram na luta; por aqueles que cotidianamente são oprimidos e explorados; aqueles que sabem muito bem o objetivo que querem atingir; aqueles que sabem que com suas mão, e apenas com suas mãos, podem criar um novo mundo. O fim destes protestos, só é possível, com o fim do capitalismo e a edificação da sociedade gerida pelos próprios produtores.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

LIVRO: "A QUESTÃO DA ORGANIZAÇÃO EM ANTON PANNEKOEK"



Acaba de ser publicado o livro "A Questão da Organização em Anton Pannekoek", organizado por Lisandro Braga e Nildo Viana, e contando com textos de Edmilson Marques, Lucas Maia, Nildo Viana e Renato Souza. Para ter acesso ao sumário e dados do livro, clique aqui.

Trechos da Apresentação do livro:

"Pannekoek foi desenvolvendo suas teses com o passar do tempo, sendo que algumas ideias manteve até o final de sua vida e aprofundou algumas, enquanto que outras ele repensou e reconsiderou. Para analisar as ideias de Pannekoek é necessário ter em mente o seu percurso intelectual. O seu pensamento atravessou algumas fases. Vamos resumir rapidamente estas fases para compreender mais adequadamente o seu pensamento".
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"Após isto, Pannekoek cada vez mais se coloca numa posição semelhante a de outros militantes e teóricos da época (Otto Rühle, Paul Mattick, Herman Gorter, etc.) e as experiências das revoluções proletárias serviram para que a ênfase nas formas de auto-organização proletária, os conselhos operários, se tornasse mais nítido. Neste contexto, a crítica a partidos e sindicatos se torna mais ampla, bem como a oposição às burocracias em geral e ao capitalismo de estado russo".
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"A sua obra Os Conselhos Operários é uma síntese das experiências e reflexões de Pannekoek durante este período e é por isso que ele discute o processo de formação dos conselhos, seu papel, sua importância – além de análises breves de questões específicas, como a Revolução Russa – e discute não só a questão organizacional proletária como também a questão do pensamento e das ideologias (no sentido amplo do termo), além de analisar a guerra e o fascismo".
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"A afirmação segundo a qual a questão da organização é fundamental para Pannekoek pode gerar a ideia de que ele poderia pensar os conselhos operários de forma fetichista. No entanto, não é este o caso. A questão das organizações recebeu tratamento diferenciado por Pannekoek, dependendo da época em que escrevia e do tipo de organização. Lembrando que o pensamento de Pannekoek atravessou algumas fases e que nestas algumas idéias permaneceram, algumas foram abandonadas e novas foram gestadas, é preciso compreender a concepção de organização em Pannekoek vinculado a este processo".
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"Um questionamento pode ser feito ao terminar esta breve análise sobre a questão da organização em Pannekoek: como fica a questão das organizações dos revolucionários?"
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"Nesse sentido, o livro inicia com o capítulo A questão da Organização Proletária escrito por Edmilson Marques no qual ele apresenta a concepção de Pannekoek sobre a mesma, acompanhado dos capítulos de Nildo Viana, Anton Pannekoek e a Questão Sindical, e de Renato Dias, Anton Pannekoek e os Partidos Políticos, nos quais eles discutem a posição de Pannekoek sobre os sindicatos e os partidos políticos. No último capítulo intitulado Os Conselhos Operários de Anton Pannekoek: Uma Utopia-Concreta da Revolução Proletária, Lucas Maia apresenta a revolução proletária como uma tendência histórica na sociedade capitalista".


BRAGA, Lisando e VIANA, Nildo. A Questão da Organização em Anton Pannekoek. Rio de Janeiro: Achiamé, 2011.